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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Encontro com Deus






Interpretação bíblica do Salmo 15
Mario Marcos Andrade da Silva*


Introdução

            Este trabalho pretende ser uma interpretação bíblica sobre o Salmo 15, nosso objeto de estudo. Para tais propósitos vamos utilizar ferramentas exegéticas, elas nos ajudam a conhecer o texto na sua forma e conteúdo. Abordaremos os seguintes itens: tradução do texto, data, autoria, lugar, gênero literário, forma e poesia, finalmente assunto de interpretação. Além do mais, forneceremos uma conclusão que possa ter relevância em nossa atualidade.

1.      O texto e sua tradução (Sl 15)[1]
           
1Senhor, quem será recebido em sua tenda?
Quem habita na montanha santa?
2 O homem de conduta íntegra
que prática a justiça
e cujos pensamentos são honestos.
3Ele não deixou à solta sua língua,
não fez mal aos outros.
nem ultrajou seu próximo.
4A seus olhos, o reprovado é desprezível;
mas ele honra os que temem o Senhor.
Se se prejudicar em um juramento, não se retrata;
5não emprestou seu dinheiro com usura,
nada aceitou para deitar a perder um inocente.
Quem age assim permanece inabalável.




2.      Data, autoria e lugar

            A datação do Salmo é problemática pelo seu caráter poético. No entanto, tentaremos algumas aproximações a partir das dicas fornecidas pelo mesmo texto.

            O Salmo carece de informações históricas concretas, entretanto, fala de “tenda” (v.1). A referência pode nos indicar que o texto pertence à época pré-exílica. Também ele se encontra entre a coleção dos salmos de Davi que, segundo as pesquisas podem ser localizadas em tempos da monarquia.[2]

            No que concerne a autoria do Sl 15 consideramos o seguinte: aparentemente pertence a Davi porque afirma o cabeçalho. Mas a comunidade acadêmica tem mostrado que estes títulos foram acréscimos posteriores.[3] Porém, não sabemos quem é o autor do Salmo. Ele se apresenta como uma homenagem ao rei Davi.

            Em relação ao lugar, sendo o Sl 15 um fragmento antigo de uma liturgia (v.1a), isto pode nos indicar que o salmista encontrava-se no templo, local onde se reunia a comunidade cultual de Jerusalém (Sl 24,3; 33,14; 125,2).

3.      Gênero Literário
           
            Segundo Bortolini, trata-se de uma liturgia semelhante ao Sl 24.[4] Outro estudioso do saltério, Derek Kidner, também considera que se trata de uma liturgia e o compara a outros textos veterotestamentários como Ex 19,10-15; 1 Sm 21,4-5.[5]

            Podemos dizer que se trata de um salmo litúrgico, pois sua forma e conteúdo mostram parte do acontecimento cultual no templo (v.1).




           
4.      Forma e Poesia
           
Cabeçalho: salmo davídico
Frase principal: Senhor, quem habitará no teu tabernáculo?  (v.1)
Primeira estrofe: Critérios para entrar no templo. (v.2-5a)
Frase conclusiva: Quem assim procede nunca será abalado?  (v.5b)

            Com relação à poesia do Sl 15 podemos considerar sua característica hebraica. Ela se distingue pelo seu modo de repetir o sentido de suas frases. Por exemplo: ao observar o v.1 notamos que a palavra “hospedar-se” pode funcionar como paralelo de “habitar”; enquanto que “tenda” pode ser analisada junto à expressão “monte sagrado”.

            No v.2, a expressão “anda com integridade” vai unida a “pratica da justiça”. Igualmente “falar a verdade” se relaciona antonimamente com “deixar a língua correr”.  “Lesa seu irmão” tem conexão com “insultar ao próximo” (v.3). E “desprezar o ímpio” se mostra como ação contraria a “honrar os que temem a Javé” (v.4a). A ação de “jurar com dano próprio” devem ser estudados, especialmente, com a frase “não emprestar dinheiro com usura” e “nem aceirar suborno” (v.4b-5a). Depois observamos que o texto termina com uma frase conclusiva “quem age deste modo jamais vacilará” (v.5b). Ela conecta com o sentido da primeira frase do Salmo (v.1), deixando o texto como uma unidade literária coesa.  

5.      Assunto de interpretação
           
            O Salmo mostra um padrão de perguntas e respostas. No seu contexto vital existe uma controvérsia em torno da ética para habitar ou entrar no santuário. A teologia do texto se encaixa dentro da tradição profética (Isaías, Miquéias e Amós) que denuncia a exploração justificada pela religião.

            Vemos no primeiro versículo que o salmista faz um questionamento como introdução que dará o tom para o desenvolvimento do texto. É importante destacar a imagem do monte santo, porque segundo a tradição do êxodo (Ex 3.1; 19.2; 24.12), era o lugar de encontro com Deus. Porém, quando o salmista se empenha em indagar quem teria condições para entrar no templo, procura pôr os critérios para quem pretenda se encontrar com Deus.

            No v.2 o salmista começa a indicar esses critérios destacando a prática da justiça, que segundo Isaías 33.15, podemos entender como falar com retidão, ou seja, falar a verdade, que indica um verdadeiro interesse pelo próximo sem buscar benefícios para si; não tirar proveito de pessoas que estão em situação desfavorável; respeitar o direito do próximo e não ter prazer na violência.

            A partir do v.2 se constata que, para a teologia do salmista, a ética cotidiana não estava separada das celebrações litúrgicas. Tudo indica que o espaço sagrado exigia níveis profundos de transformação pessoal.

O Salmo destaca o adequado uso da língua (v.2b-3). Segundo outros textos contemporâneos, a língua podia ser comparada com uma “espada afiada” (Sl 52,4), pelo seu poder de ferir e matar. E, também, como o mesmo texto indica, a língua parecia ser o médio eficaz para “lesar o irmão”, “insultar” (v.3), planejar usura (v.5a), “subornar” (v.5b).  O mau uso da língua procura prejudicar o outro (Pv 6,19), e revela, segundo o conteúdo do texto, dois projetos de vida diferentes: o dos ímpios (v.4a) e o dos que temem a Javé (v.4b).

Logicamente que o Sl 15 apresenta a teologia da retribuição: separação de justos e pecadores e a visão de um Deus que acolhe os bons e despreza os ruins. Mas, o nosso interesse vai se centrar no aspecto de que não se pode servir a Deus sem servir aos irmãos (v.2-5).

            O salmista encerra respondendo a pergunta inicial (v.1) com relação aos que podem entrar ou habitar no monte santo: os v.2-5 deram a resposta. Os que praticam estes preceitos, também localizados em outras referencias bíblicas, (Ex 22.25, Lv 25.35-37; Dt 15.2) estão em sintonia com o desejo de Deus.

Algumas questões para refletir:

            Que lugar ocupa Deus na minha vida? Que lugar ocupam meus irmãos? Onde termina um, onde começa o outro? Existe um limite realmente? Nossa ética está em harmonia com os “sonhos” de Deus? Como tornar a pratica da justiça eficaz em nossas comunidades?

            Respondendo estas perguntas, também saberemos como é nosso encontro com Deus.






*O autor é bacharelando em teologia pelo (ICEC) Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos, além de especialista em escatologia e angelologia pelo Ide Missões.
[1] Tradução do texto extraído da Bíblia Tradução Ecumênica, São Paulo, Loyola, 1994.

[2] Nome do autor, Título do livro, Lugar, Editora, Ano, p.15.
[3] José Bortolini, Conhecer e rezar os salmos, São Paulo, Paulus, 2006, p.11-12.
[4] José Bortolini, p.70.
[5] Derek Kidner, Introdução e comentário dos salmos, São Paulo, Vida Nova, 1992, p.97.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Tetelestai: Consumado está!

TETELESTAI
(Está consumado)
(Jo-19:30)
Por
Mario Marcos[1]












            A história registra as ultimas palavras de grandes homens que morreram crucificados:
David Hume, o ateu, gritou: “Estou em chamas”, seu desespero foi uma cena terrível.
Hobbes, um filósofo inglês: “Estou diante de um terrível salto nas trevas”.
Nietzsche, filósofo alemão: “Se realmente existe um Deus, sou o mais miserável dos homens”.
Jesus Cristo, O Salvador: “Está consumado”.
            
            Esta foi a sexta palavra que Jesus disse na cruz, quando comparamos aos registros dos evangelhos, descobrimos que ele gritou em alta voz: “Está consumado”. Esta declaração não foi o gemido de um homem derrotado, mas o grito triunfante da vitória do filho de Deus, nosso salvador. Aos 33 anos a maioria das pessoas costuma afirmar: “é o começo”, mas nessa mesma idade jesus dizia “Está consumado” ele não disse “Estou acabado”. Não se tratava de um lamento de uma vítma vencida pelas circunstâncias, mas um grito de um vencedor derrotando todos os seus adversários. Na língua grega o significado desta palavra é: “Está consumado, permanece consumado, e estará sempre consumado.



Tetelestai: um termo comum
            Embora essa palavra não seja conhecida de muitas pessoas nos dias atuais, ela era comum quando Jesus ministrava na terra. Os arqueólogos descobriram diversos documentos gregos antigos que tinham esta expressão. Quando o Espírito Santo inspirou os escritores do N.T, guiou-os para usarem uma lingugem comum do povo dos dias de Jesus, e está expressão: “Está consumado” fazia parte da vida diária das pessoas. Vamos explorar estas palavras que eram usadas por alguns indivíduos daquela época e assim entender melhor o que significa as palavras de Jesus na cruz.
            Servos: Os servos e escravos usavam esta palavra sempre que terminavam um trabalho e levavam o fato  ao conhecimento de seus senhores; o servo dizia: “tetelestai”, terminei a tarefa que me destes para fazer. Isto significa que o serviço fora feito como o senhor determinara, e na hora que estabelecera.
            Jesus Cristo é o servo santo de Deus, (Fl-2:5-11)

           Quando um artista completava uma pintura ou um escritor terminava um manuscrito, podia dizer: “Está consumado!” Um servo usava esta expressão para relatar a seu Senhor “(consumei) a obra que me confiaste para fazer” (Jo 17.4). Também era usado pelo sacerdote depois de examinar um animal para o sacrifício e de não encontrar nele qualquer defeito. Mas talvez o uso mais importante de “está consumado” seja comercial, quando mercadores diziam: “A dívida está paga!”
            Ao se entregar na cruz, Jesus cumpriu inteiramente os requisitos justos de uma lei santa; pagou toda a dívida. O sangue derramado nos sacrifícios do Antigo Testamento cobria, mas não poderia remover o pecado, somente o sangue de Jesus pôde fazer isto de uma vez por todas (Jo 1.29; Hb 9.24-28).

            Certa vez, um evangelista chamado Alexander Wooten foi abordado por um rapaz irreverente que lhe perguntou: “O que devo fazer para ser salvo?” “É tarde demais!”, respondeu Wooten. E continuou o que estava fazendo. O jovem assustou-se. “Quer dizer que é tarde demais para eu ser salvo?”, perguntou. “Não há nada que eu possa fazer?” “Tarde demais!”, disse Wooten. “Já foi tudo feito! Você só precisa crer.”
             Que Deus continue nos abençoando.






[1] O autor é bacharel em teologia pelo (ICEC) Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos, além de especialista em escatologia e angelologia pelo Ide Missões

domingo, 16 de junho de 2013

Deus O Poeta da Vida.



Teologia é poesia: a linguagem poética da fé

                               
 Introdução
Na última aula de Teologia Bíblica desse semestre tivemos a oportunidade de analisar sobre a linguagem poética da espiritualidade. Nesse trabalho pretendo desenvolver um pouco mais a respeito desse conceito, trazendo também a ideia de que a própria Teologia se constitui numa linguagem poética.

Desenvolvimento
O fato de que o objeto de estudo da teologia: Deus, ser na verdade impossível de ser analisado e experimentado em laboratório nos conduz a uma conclusão inescapável: a de que a Teologia é linguagem poética. Não estou com isto dizendo que Teologia não seja uma ciência, afinal, possui metodologia e regras do método científico. Entretanto, por se tratar do estudo de nada mais e nada menos do que o “Grande Mistério” e as relações dos homens e mulheres com ele, nossa linguagem na Teologia é representativa.
Quando falamos de Deus, já falamos em linguagem humana, com elementos próprios de nossa experiência humana. Ao nos referirmos a Jesus, nos referimos ao “símbolo” de Deus para o cristão. Ao falarmos do Espírito Santo, nos referimos àquela “força”, ainda que o tenhamos como pessoa da Trindade, que nos move ao próximo e aos valores de Cristo. Ao nos referirmos aos valores de Cristo, falamos do amor ao próximo e da encarnação, e tudo baseado nas representações da vida de Cristo, que nem sabemos se foi fato ou apenas linguagem religiosa dos escritores dos evangelhos. Portanto, toda a nossa linguagem teológica é representativa e poética, porque ao final das contas, tudo o que de lá tiramos como divino é para nos tornarmos mais humanos.
Não sou o primeiro certamente a defender a essa ideia  Rubem Alves, teólogo brasileiro, já fez muita referência a essa ideia da Teologia como poesia em seus livros. Em um de seus livros escreveu “Ninguém jamais viu Deus. Dele, o que conhecemos são apenas as palavras que falamos. E palavras são como bolsos – espaços vazios que usamos para guardar coisas”[1].

Conclusão
O fato de que a Teologia seja linguagem poética não deve nos tirar a fé. Ao contrário. Nos faz lembrar que a fé está para além da razão. A fé é algo para ser experimentado, encarnado. E nesse sentido a linguagem poética é muito mais rica para descrever do que os simples conceitos, pois o dogma congela, esteriliza, engessa ou seja, é morto. A poesia é viva, sempre passível de novas interpretações dependendo de quem a leia. Se Teologia é poesia, então ela é vida e, portanto tem tudo a ver com encarnação, com experiência, com vida, com amor, com Deus.
Infelizmente sabemos que há teologias que não são poesias porque se transformaram em dogmas imutáveis. Penso que essa teologia nada tem a ver com Deus, tem a ver com homens que desejam apenas a morte. “Escolhei, pois, a vida”.




[1] ALVES, R. O Deus que conheço. São Paulo: Verus, 2010, p.12.

Sem amor eu nada seria.



Análise Exegética de 1 Coríntios 13
Texto
“1Mesmo que eu fale em línguas, a dos e a dos anjos, se me falta o amor, sou um metal que ressoa, um címbalo retumbante.
2Mesmo que tenha o dom da profecia, o saber de todos os mistérios e de todo o conhecimento, mesmo que tenha a fé mais total, a que transporta montanhas, se me falta o amor, nada sou.
3Mesmo que distribua todos os meus bens aos famintos, mesmo que entregue o meu corpo às chamas, se me falta o amor, nada lucro com isso.
4O amor tem paciência, o amor é serviçal, não é ciumento, não se pavoneia, não se incha de orgulho, 5nada faz de inconveniente, não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, 6não se regozija com a injustiça, mas encontra a sua alegria na verdade.
7Ele tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8O amor nunca desaparece.
As profecias? Serão abolidas.
As línguas? Acabar-se-ão.
O conhecimento? Será abolido.
9Pois o nosso conhecimento é limitado e limitada é a nossa profecia.
10Mas quando vier a perfeição, o que é limitado será abolido.
11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei homem, pus cobro ao que era próprio da criança.
12Agora, vemos em espelho e de modo confuso; mas então, será face a face. Agora o meu conhecimento é limitado; então, conhecerei como sou conhecido. 13Agora, portanto, permanecem três coisas, a fé, a esperança e o amor, mas o amor é o maior.”[1]

Introdução

Esta perícope, na verdade, se inicia no v. 31 parte b “E além disso, eu vou indicar-vos um caminho infinitamente superior”. Como continuação do texto anterior em que Paulo trabalha a questão dos diversos dons dos membros do corpo de Cristo.
Tem sido chamada de “Hino ao amor”. Uma pergunta que fazemos é sobre o gênero literário: trata-se totalmente de um poema? Há um refrão: “se me falta amor...” que se repete nos  v. 1 ao v.3. Esses três versículos nos remetem mais a ideia de um poema. Portanto eu sugiro que possa existir na verdade aqui mais de uma perícope ou talvez teríamos subperícopes. Sendo a primeira do v.1 ao v.3. Veja a estrutura sugerida para essa primeira:
Subperícope 1 – “Poema ao amor” – v.1-3
1ª Estrofe (v.1)
Mesmo que eu fale em línguas, a dos homens e dos anjos
Se me falta o amor...
Sou um metal que ressoa, um címbalo retumbante.

2ª Estrofe (v.2)
Mesmo que tenha o dom da profecia, o saber de todos os mistérios e de todo o
conhecimento
Mesmo que tenha a fé mais total, a que transporta montanhas
Se me falta o amor...
Nada sou.

3ª Estrofe (v.3)
Mesmo que distribua todos os meus bens aos famintos,
mesmo que entregue o meu corpo às chamas,
Se me falta o amor...
Nada lucro com isso.

A estrutura das estrofes é basicamente assim:

1) Primeiro e às vezes o segundo verso: hipótese de dom ou trabalho efetuado
2) O refrão: “Se me falta o amor”
3) Conclusão: inutilidade, nulidade.


As outras subperícopes poderiam ser dividas da seguinte forma:
           
4 – 7: O que é o amor
           
8 – 13: A permanência do amor diante da transitoriedade dos demais dons




Subperícope 2 – “O que é o amor?” – v.4-7

Esta segunda perícope  ou subperícope, não tem tanto um aspecto de poema. Primeiro, pela falta do refrão e segundo, por ter características retóricas.
Dos versículos 4-6a, Paulo faz afirmações e negações do que é do que não é o amor ágape (no grego). Essas afirmações não são meramente conceituais, mas se baseiam em experiências e ações que expressam o verdadeiro amor.
Dos versículos 6b-7, Paulo usa a retórica para contrapor as negações sobre o amor nos versículos anteriores.

Subperícope 3 – “A permanência do amor diante da transitoriedade dos demais dons” – v.8-13

Ainda usando de retórica, Paulo contrapõe a transitoriedade dos demais dons com relação ao amor que é permanente.
v.8 – Os três dons mencionados no capítulo anterior: profecias, línguas e conhecimento. Tudo será abolido, acabará. (v.9-10).
v.11 – A metáfora da criança que ao se tornar adulto deixa as coisas de criança. Temporalidade. Transitoriedade.
v.12 – A metáfora do espelho. Mostra limite, imperfeição
v.13 – A conclusão do que permanece: o amor.

Conclusão:

Essa perícope pode ser divida em três subunidades ou subperícopes, como queiram chamar. Sendo a primeira de estrutura poética e as duas últimas de função retórica.
Existem discussões sobre o que é essa perfeição que viria (v.10). Em minha opinião, fica muito claro que o perfeito é o próprio amor, o ágape. E que não tem necessariamente um aspecto escatológico e sim como algo que sempre decorre quando o amor acontece. Havendo amor, desaparece ou não se torna mais necessário os demais dons.




[1] Tradução Ecumênica da Bíblia. Loyola, São Paulo: 1994.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Deus tem nome?




Deus tem nome?
            Mark Sameth, formado pelo Hebrew Union College-Jewish Institute of Religion, rabino da Sinagoga Comunitária de Pleasantville, em Nova Iorque, publicou um polêmico artigo na revista Reform Judaism, em sua edição do primeiro quadrimestre de 2009. No texto, Sameth defende que o verdadeiro nome de Deus, tão buscado por gerações e gerações de judeus, é, na verdade, um nome andrógino, que mescla em equidade "todas as energias masculinas e femininas".

Eis o texto
            Quando Deus começa a criar o primeiro ser humano – Adão – ele diz: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança". O texto continua: "Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher" (Gênesis 1, 26-27).
            O texto parece estar dizendo (e os rabinos do Talmud e do Midrash entendem dessa forma) que Adão foi criado por Deus como homem e mulher. Os rabinos falam abertamente disso, e até compuseram com esmero relatos especulativos sobre a separação dessa criatura hermafrodita em personagens homem e mulher que conhecemos como Adão e Eva. O que os rabinos não estavam dispostos a discutir abertamente era até onde essa criatura terrena foi criada "b’tzelem Elohim", na imagem de gênero duplo de Deus. Mas se lermos o texto como um místico o leria, prestando uma atenção extremamente grande e assumindo que o texto bíblico mais esconde do que revela, podemos encontrar pistas que se referem à natureza andrógina de Deus. Consideremos, por exemplo, que a Torá: identifica Moisés como um pai que amamenta (Números 11, 12) [1] nos diz que Adão deu o nome de Eva a sua esposa "ki hu hay’tah eim", "porque ele era a mãe de todos os seres vivos" (Gênesis 3, 20) [2] narra que Abraão instruiu o seu servo para estar atento a uma mulher que irá dar água aos camelos porque "hu ha’ishah", "ele será a mulher" para o meu filho (Gênesis 24, 44) [3] e a lista continua.
            Por que a Torá repetidamente confunde os gêneros de seus personagens principais? A que a Torá está aludindo? Eu acredito que esses não são erros/enganos de escrita, mas a verdadeira chave para abrir um dos mistérios mais permanentes da Torá.
            Mas antes uma nota sobre as muitas ocorrências estranhas na Torá sobre os nomes. O nome do nosso patriarca Jacó é duas vezes modificado para Israel. Faraó não é um nome. E Moisés não é um nome. Moisés, em egípcio, significa "nascido de" – assim como no nome Tutmosis (nascido de Tut). Consideremos: se o nome do nosso grande líder Moisés não é realmente um nome, ele significa alguma outra coisa? De um modo interessante, se soletrarmos o nome Moisés em hebraico de trás para frente, Moshe se torna HaShem, que literalmente significa "O Nome", uma das formas dos judeus se referirem a Deus.
            Então, consideremos: se o nome de Moisés soletrado de trás para frente se torna HaShem, refletindo a natureza divina do ser humano, o nome de Deus, soletrado de trás para frente, não deveria refletir, da mesma forma, algo essencial sobre o gênero humano? De fato, sim. Observem o Yod-He-Vau-He [YHWH], o inefável nome de Deus. Conhecido como o Tetragrammaton, permitiu-se que o Nome fosse usado nas saudações diárias pelo menos até o ano 586 a.C., quando o Primeiro Templo foi destruído (Mishnah Berakhot 9, 5). Nesse tempo, sua pronúncia era permitida apenas aos sacerdotes (Mishnah Sotah 7, 6), que o pronunciavam em sua benção pública ao povo. Depois da morte do Sumo Sacerdote Shimon HaTzaddik, por volta do ano 300 a.C., (Talmud Babilônico, Tractate Yoma 39b), o nome foi pronunciado apenas pelo Sumo Sacerdote no Santo dos Santos no Yom Kippur (Mishnah Sotah 7:6; Mishnah Tamid 7, 2). Os sábios passavam a pronúncia do Nome aos seus discípulos apenas uma vez (alguns dizem duas vezes) a cada sete anos (Talmud Babilônico, Tractate Kiddushin 71a). Finalmente, com a destruição do Segundo Templo em 70 a.C., o Nome nunca mais foi pronunciado.
            Mais tarde, alguns especularam que o Nome era pronunciado como "Jeová" ou possivelmente "Yahweh", mas os estudiosos não concordaram. Ninguém sabia com certeza como se pronunciava o inefável Nome de Deus.
            Mas e se o Yod-He-Vau-He foi por muito tempo impronunciável pela simples razão de que está escrito ao contrário? De trás para frente, o Nome de Deus se torna He-Vau-He-Yod. E essas duas sílabas, He-Vau e He-Yod, podem ser vocalizadas como os sons equivalentes dos pronomes hebraicos "hu" e "hi", que são traduzidos como "ele" e "ela" respectivamente. Combinando-os, He-Vau e He-Yod se torna "Ele-Ela".
            Ele-Ela, eu acredito, é o impronunciável Nome de Deus! Esse segredo esteve escondido a olhos vistos durante todos esses anos, porque se afirma explicitamente na Torá: Deus criou a terra e as criaturas à própria imagem de Deus, masculino e feminino.
            É desnecessário dizer que a noção de um Deus andrógino que cria essencialmente seres humanos andróginos tem profundas implicações. Há muito tempo, o Zohar, o livro de misticismo judeu por excelência, declarou: "É de incumbência de um homem ser sempre masculino e feminino" – uma afirmação estranha, especialmente no século XIII. Mas a nossa sociedade recentemente começou a mostrar sinais de ser capaz de entender e de querer aceitar essa mensagem. O Dr. James Garbarino, um dos especialistas mais influentes da nossa geração em desenvolvimento de crianças, observa que as chamadas "meninas tradicionais que tem apenas características 'femininas' estão em desvantagem no que se refere ao coping [4]" e os chamados meninos tradicionais também estão em desvantagem. "Combinar os traços tradicionalmente femininos com os traços masculinos", escreveu Garbarino em "See Jane Hit", "contribui para uma maior resiliência".
            O rabino Jeffrey Salkin, autor de "Searching for My Brothers", indica que as culturas judaicas e ocidentais mantiveram por muito tempo perspectivas diferentes sobre a questão da androginia. Enquanto a cultura ocidental diz "seja um homem", ele explica, a mensagem da cultura judaica sempre foi "seja um homem bom". Ser um homem bom – o que ele define como "masculinidade madura" – é "uma combinação tanto de traços masculinos quanto de femininos". Em seu famoso livro "Deborah, Golda, and Me", a feminista judaica Letty Cottin Pogrebin desafia os judeus a "ampliar a capacidade do homem para as expressões emocionais e para o cuidado com a família, e a expandir as opções das crianças independentemente de seu gênero. É possível", ela pergunta retoricamente, "que maiores oportunidades para as crianças, homens mais amorosos e mulheres mais competentes e confiantes não sejam bons para os judeus?".

            Ao discutir o patriarcado em "The Torah: A Women’s Commentary", Rachel Adler comenta que o mundo "implora por reparos" – não apenas por causa das mulheres, mas por causa dos homens também. O trabalho do judaísmo reformado – de fato, o trabalho de todas as comunidades religiosas progressistas e igualitárias do mundo – requer um compromisso sempre mais profundo com esse reparo. Isso significa esforçar-se pela integridade em nós mesmos; com os nossos familiares; na relação entre si mesmo e a comunidade; e na relação entre as comunidades individuais e o mundo como um todo. Significa fazer tudo o que fizermos, nas palavras dos nossos místicos antigos, "l’shem yichud", basicamente pela causa da unificação de Deus.
            Agora, baseados nessa nova compreensão de Deus como Ele-Ela, é o momento de livrar-nos da concepção estereotipada de Deus como um velho homem com uma longa barba branca nas nuvens. Pensar em Deus como Ele-Ela nos concede a liberdade de ver a Divindade como a totalidade de toda a energia masculina e feminina.
            É o momento de considerarmos a mudança de nossas orações mais sagradas, particularmente aquelas que se referem a Deus como Senhor. Os antigos rabinos empregaram a palavra "Senhor" (Adonai, em hebraico) como um substituto respeitável para o impronunciável Tetragrammaton e recentemente alguns judeus reformistas – incluindo os editores de "The Torah: A Women’s Commentary" – preferiram não usá-lo. Com essa nova cognição do Tetragrammaton, podemos revisitar confiantemente nossa declaração de fé: "Shema Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Echad – Escuta, Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é Um" (Deuteronômio 6, 4) e afirmar, pelo contrário: "Shema Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Echad – Escuta, Israel, Ele-Ela é nosso Deus, Ele-Ela é Um". É o momento de afirmarmos que a tradição de igualdade de gênero da reforma do judaísmo – que deu poder às mulheres para se tornarem rabinas, cantoras e líderes leigas da congregação – não é uma invenção moderna e, de certa forma, menos autêntica, mas sim emblemática da mais antiga concepção de Deus do judaísmo.
            E é o momento de repensarmos como escolhemos passar adiante a nossa herança às próximas gerações. Se você já tentou ensinar Deus a uma classe de estudantes judeus precoces, você provavelmente já ouviu aquele sussurro do fundo da sala: "Sim, claro". Bem, recentemente eu aproveitei a oportunidade e ensinei a minha turma pós-bar/bat mitzvah a minha idéia do nome secreto de Deus e seu significado. Então, discutimos sobre o que isso implicaria em nossas relações entre nós mesmos e com Deus. Quando terminamos, uma das jovens voltou-se para os outros que estavam sentados ao redor da mesa e disse as palavras pelas quais os rabinos dão sua vida: "O judaísmo", ela exclamou, "é tão legal".

Notas:
1. O versículo, na edição Ave Maria, diz: "Porventura fui eu que concebi esse povo? Ou acaso fui eu que o dei à luz, para me dizerdes: leva-o em teu seio como a ama costuma levar o bebê, para a terra que, com juramento, prometi aos seus pais?".
2. "Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes", na edição Ave Maria. Ou "O homem chamou sua mulher Eva, por ser a mãe de todos os viventes", na Bíblia de Jerusalém.
3. "A jovem que vier buscar água e a quem eu disser: Dá-me de beber, por favor, um pouco de água de teu cântaro, e que responder Bebe, não somente tu, mas tirarei água também para os camelos, essa deverá ser a mulher que o Senhor destinou para o filho do meu senhor’."

4. Coping é o termo da psicologia utilizado para designar o conjunto de estratégias cognitivas e comportamentais desenvolvidas pelo sujeito para lidar com as exigências internas e externas que são avaliadas como excessivas (circunstâncias adversas ou estressantes), ou as reações emocionais dessas exigências.

domingo, 28 de abril de 2013

DO TABERNÁCULO DE MOISÉS AO TEMPLO DE SALOMÃO






DO TABERNÁCULO DE MOISÉS
 AO TEMPLO DE SALOMÃO 
Por Mario Marcos1

     A palavra Tabernáculo vem do latim tabernaculum, "tenda", "cabana" ou "barraca" e designa o santuário portátil onde durante o Êxodo até os tempos do Rei Davi os israelitas guardavam e transportavam a arca da Aliança, a menorá e demais objetos sagrados. Em hebraico se chamava mishkan, משכן , "moradia", (local da Divina morada). Também se denominava mow'ed, מוֹעֵד , "Tenda da Reunião". Era composto de três dependências: Átrio Exterior, Santo Lugar e Santo dos Santos. 
Os objetos sagrados que acompanhavam o tabernáculo eram:

 No Átrio Exterior
      Altar do Holocausto - onde eram oferecidos os sacrifícios a Deus. 
    Bacia - Onde os Sacerdotes lavavam os pés e as mãos simbolizando uma purificação para entrar no Santo Lugar.

No Santo Lugar
     Altar do incenso - Localizado do lado oposto a entrada, no fundo, pouco antes do véu que separava do Santo dos Santos. Era usado para se queimar incenso pela manhã e à tarde pelos sacerdotes.
   Mesa dos Pães da Proposição - Ficava logo à direita da entrada. Tinha esse nome pois todo Sábado eram colocados 12 pães, simbolizando as 12 tribos de Israel em cima dela.
   Candelabro de Ouro - À esquerda da entrada, com sete hastes. Era diariamente enchido pelos sacerdotes para que nunca se apagar, Somente enquanto estava sendo transportado.

Santo dos Santos
     O Véu - Cortina que separava o Santo Lugar do Santo dos Santos.
Arca da Aliança - Simbolizava a Presença de Deus e carregava as Tábuas da Lei - os 10 Mandamentos - a Vara de Aarão, que floresceu e o pote de maná (alimento mandado por Deus no deserto). Era a peça mais santa do Tabernáculo. 
     Propiciatório - Nada mais do que a tampa da Arca. Era o lugar onde o Sumo Sacerdote, uma vez ao ano, no dia da Expiação, aspergia o sangue pela remissão de seus pecados e pelos pecados do povo.
    
     Tabernáculo pode também designar o sacrário, um pequeno cofre colocado sobre o altar das Igrejas onde são guardadas a píxide ou a custódia, onde está a Eucaristia.
  
     O Templo de Salomão (no hebraico בית המקדש , Beit HaMiqdash), foi, segundo a Bíblia Hebraica, o primeiro Templo em Jerusalém, construído no século XI a.C., e teria funcionado como um local de culto religioso judaico central para a adoração a Javé, Deus de Israel, e onde se ofereciam os sacrifícios conhecidos como korbanot. 
Intervenção de Davi 
     O Rei Davi, da tribo de Judá, desejava construir uma casa para Jeová (YHWH), onde a Arca da Aliança ficasse definitivamente guardada, ao invés de permanecer na tenda provisória ou tabernáculo, existente desde os dias de Moisés. Segundo a Bíblia, este desejo foi-lhe negado por Deus em virtude de ter derramado muito sangue em guerras. No entanto, isso seria permitido ao seu filho Salomão, cujo nome significa "paz". Isto enfatizava a vontade divina de que a Casa de Deus fosse edificada em paz, por um homem pacífico. (2 Samuel 7:1-16; 1 Reis 5:3-5; 8:17; 1 Crónicas 17:1-14; 22:6-10).
     Davi comprou a eira de Ornã ou Araúna, um jebuseu, que se localizava monte Moriah ou Moriá, para que ali viesse a ser construído o templo. (2 Samuel 24:24, 25; 1 Crónicas 21:24, 25) Ele juntou 100.000 talentos de ouro, 1.000.000 de talentos de prata, e cobre e ferro em grande quantidade, além de contribuir com 3.000 talentos de ouro e 7.000 talentos de prata, da sua fortuna pessoal. Recebeu também como contribuições dos príncipes, ouro no valor de 5.000 talentos, 10.000 daricos e prata no valor de 10.000 talentos, bem como muito ferro e cobre. (1 Crónicas 22:14; 29:3-7) Salomão não chegou a gastar a totalidade desta quantia na construção do templo, depositando o excedente no tesouro do templo (1 Reis 7:51; 2 Crónicas 5:1).

Aspectos da construção 
     O Rei Salomão começou a construir o templo no quarto ano de seu reinado seguindo o plano arquitectónico transmitido por Davi, seu pai (1 Reis 6:1; 1 Crónicas 28:11-19). O trabalho prosseguiu por sete anos. (1 Reis 6:37, 38) Em troca de trigo, cevada, azeite e vinho, Hiram ou Hirão, o rei de Tiro, forneceu madeira do Líbano e operários especializados em madeira e em pedra. Ao organizar o trabalho, Salomão convocou 30.000 homens de Israel, enviando-os ao Líbano em equipes de 10.000 a cada mês. Convocou 70.000 dentre os habitantes do país que não eram israelitas, para trabalharem como carregadores, e 80.000 como cortadores (1 Reis 5:15; 9:20, 21; 2 Crónicas 2:2). Como responsáveis pelo serviço, Salomão nomeou 550 homens e, ao que parece, 3.300 como ajudantes. (1 Reis 5:16; 9:22, 23)              Salomão mandou entalhar grandes pedras (1Reis 5:15) que eram encaixadas umas nas outras, de forma que não se usavam ferramentas para entalhar na obra (não se ouviam martelos ou instrumentos de ferro na obra).
No templo se utilizava escada tipo caracol para subir aos dois pavimentos superiores (1 Reis 6:8).
      Foi um período extremamente prospero para a nação, neste período Salomão passa a criar cavalos, institui trabalhos forçados para os nativos da terra (cananeus) contrariando a palavra profética escrita no livro de Deuteronomio 17:14 a 17: chegando na terra prometida, buscariam ter reis e nunca poderiam tornar-se semelhantes ao Egito. Este período de prosperidade só foi possivel após as guerras vencidas por Davi, seu pai, conforme relata o prórpio Salomão em 1 Reis 5:3, esta foi a forma de Javé não dar condições para Davi realizar a obra. 
     O templo tinha uma planta muito similar à tenda ou tabernáculo que anteriormente servia de centro da adoração ao Deus de Israel. A diferença residia nas dimensões internas do Santo e do Santo dos Santos ou Santíssimo, sendo maiores do que as do tabernáculo. O Santo tinha 40 côvados (17,8 m) de comprimento, 20 côvados (8,9 m) de largura e, evidentemente, 30 côvados (13,4 m) de altura. (1 Reis 6:2) O Santo dos Santos, ou Santíssimo, era um cubo de 20 côvados (8,9 m)de lado. (1 Reis 6:20; 2 Crónicas 3:8)
     Os materiais aplicados foram essencialmente a pedra e a madeira. Os pisos foram revestidos a madeira de junípero (ou de cipreste segundo algumas traduções da Bíblia) e as paredes interiores eram de cedro entalhado com gravuras de querubins, palmeiras e flores. As paredes e o tecto eram inteiramente revestidos de ouro. (1 Reis 6:15, 18, 21, 22, 29) 
     Após a construção do magnífico templo, a Arca da Aliança foi depositada no Santo dos Santos, a sala mais reservada do edifício. Anos posteriores. Teria sido pilhado várias vezes e teria sido totalmente destruído por Nabucodonosor II da Babilónia, em 586 a.C., após dois anos de cerco a Jerusalém. Os seus tesouros teriam sidos levados para a Babilónia e tinha assim início o período que se convencionou chamar de Exílio Babilônico ou Cativeiro em Babilónia na história judaica. Décadas mais tarde, em 516 a.C., após o regresso de mais de 40.000 judeus da Cativeiro Babilónico foi iniciada a construção no mesmo local do Segundo Templo. O rei Herodes, o Grande, querendo agradar os judeus reconstruiu o templo, que foi destruído pelo general Tito em 70 EC, pelos romanos, no seguimento da Grande Revolta Judaica. Hoje o que resta, erguido, do Templo de Herodes é o Muro das Lamentações, usado por judeus ortodoxos como lugar de oração.

[1] Mario Marcos Andrade da Silva, Bacharel em Teologia pelo (ICEC), Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos. M. 10.1.509. Convalidado pea Faculdade Unida, Além de especialista em escatologia, angelologia e aconselhamento pastoral pelo IDE Missões.